segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Vítima do meu próprio veneno...

Antes de ter passado por certas coisas em minha vida, e até depois de ter passado, eu jamais havia imaginado que certas marcas que ficam no coração fossem capazes de doer e sangrar por tanto tempo. E olha que já sofri com muitas marcas em meu coração. Na verdade, sinto como se estivesse com o coração em estado de coma. E mesmo ele próprio sabendo que está assim, parece que nada pode fazer pra sair disso. Mesmo sabendo da real situação das coisas, que enfim, o leite já está derramado, que nada pode ser feito pra mudar nada, é difícil esquecer dessas feridas quando elas ainda doem e as vezes ainda sangram tanto. Aquela coisa de tocar o barco, seguir a vida, ir adiante, por mais esforço que se faça pra parecer que está tudo certo, não é uma imagem fácil de manter pra si mesmo, quando você é o único que sabe como as coisas realmente estão no seu interior. E é inegável que isso me afeta em todos os outros campos da minha vida. Quem me conheceu em tempos melhores sabe que não sou exatamente o que "estou" hoje.

Lógico, muita gente pode dizer, em tom racional, que "é questão de tempo pras feridas se curarem." Outros vão dizer, "é assim mesmo..." ou "já passei por isso". De fato. Como seres humanos, estas são condições e situações que muitos de nós passamos. Mas todos que passaram por algo parecido devem concordar que cada um é um. Não se pode tratar todos os casos e todas as pessoas da mesma maneira. Até porque, justamente por sermos únicos, mesmo passando por situações idênticas, pessoas diferentes aprendem (ou não), são afetadas e reagem de maneiras diferentes.

O fato é que isso ainda é causado por conta de um sentimento que imagino ser o mais difícil de lidar: o amor. Confesso que em muitos momentos tenho raiva dele, de sentir isso por razões que parecem ter se desintegrado no ar. Se este não tivesse aparecido em minha vida, eu não estaria passando por tudo isso agora. Em contrapartida, também não teria vivido momentos mágicos, inesquecíveis, únicos, que me ensinaram tanto e me fizeram tão felizes enquanto aconteciam e me fizeram ser o ser humano que sou hoje.

Mas sofrer tem seu ponto positivo. Quem sofre demonstra ter sensibilidade. Mas nunca é bom sofrer. E existem pessoas que tem uma grande capacidade de tomar as rédeas da situação, de agir racionalmente e literalmente deixar de lado os motivos que fazem mal, eu mesmo já fui testemunha disso. E eu queria saber fazer isso melhor do que sei hoje. Pois ao menos pra mim, não é fácil tomar uma decisão que vai afastar você daquilo que você mais quer, mesmo sabendo que isso já não pode te fazer tão feliz. E até existem alguns fatores que ajudariam a manter essa decisão, independentes de mim, inclusive. Mas e o medo de nunca mais poder ter aquilo novamente (que provavelmente é o que deve acontecer...)?

É meio que uma "sinuca de bico", digamos assim. Eu sei que voltar a me aproximar de certas coisas vai fazer meu coração sangrar. Então, quando bate a vontade, como num vício, vem na cabeça a certeza que diz "mas vai doer depois!" e então me seguro. E logo depois vem a coisa do "mas e se nunca mais eu puder ter isso??" e as vezes acabo cedendo. Bem, não é fácil abrir mão de um sentimento que já teve mais do que provados os motivos pra estar aqui, como também não é fácil resistir a ele, mesmo que não tenha mais sentido mantê-lo.

Desejos, vontades, idéias que passam pela cabeça, por entre os afazeres do dia a dia, estão sempre presentes. E também na hora de dormir, nos sonhos e na hora de acordar. É impossível esquecer, é difícil se conformar, é difícil aceitar. Muitas vezes bate aquele impulso que te faz ser capaz de enfrentar e passar por cima de qualquer um e qualquer coisa se tiver uma chance de mudar tudo, e então você lembra que qualquer coisa que se faça, não vai adiantar de nada, e só vai trazer mais frustração, fato este que por si só já causa uma enorme frustração. É quando você mesmo se põe no veneno. Você se vê incapaz de realizar os seus maiores desejos. Nem você, nem ninguem podem fazer nada. E não tem remédio. Isso fica aqui, é algo absurdamente forte, tomando conta de uma enormidade dentro de si, e não há o que fazer. Não tem volta. Não há escolha...

É como diz uma música que tenho ouvido muito:
"e a palavra que me cura, ninguém vai dizer..."