Uma vez, ainda com minha mente de adolescente (eu devia ter uns 17 anos), num raro momento de inspiração filosófica (eu adorava filosofia, mas filosofar nunca foi meu forte), escrevi alguns pensamentos sobre o tempo, os seguintes:
"Confie no tempo. Em qualquer momento de nossas vidas, ele é uma constante. Se ele traz a escuridão, também traz a luz. Se traz o medo, também nos traz a coragem. Se traz mágoas, também as leva embora. Se traz a dúvida, também nos traz a certeza. Se traz problemas, também traz as soluções. Se nos machuca, faz com que as feridas se tornem cicatrizes. O tempo não apenas nos envelhece, mas nos engrandece. Nos dá experiência, sabedoria. O tempo nos ensina a dar tempo ao tempo."
Bem, o motivo de eu estar escrevendo isso é porque, infelizmente, o tempo tornou-se a minha única alternativa para tentar esquecer aquilo que perdi na última semana. Não que tenha perdido na última semana exatamente, mas o fim definitivo de um relacionamento nunca é bom. Ainda mais quando ainda existe todo o sentimento e este era tão vivo, mas ao que tudo indica, infelizmente era só de uma das partes.
É difícil nesses casos encontrar um motivo que explique o que tenha acontecido. É bem verdade que o decorrer desse relacionamento em questão não foi mesmo muito tranquilo. Chegou até mesmo a passar por muitos caminhos bem penosos, mas por pior que tenha sido, não foi o desentendimento em si que culminou no seu final, pois justamente pelo fato de ter sobrevivido a tanta coisa, não era de se imaginar que fosse terminar assim. A questão é, que assim como eu, muitas outras pessoas que nos rodeiam passam por esse tipo de situação. E cada uma delas sabe a dor que isso provoca. Seja por razões que não passam de desculpas ou seja por razões que realmente justifiquem um final, sempre um ou ambos os lados saem com o coração partido. Afinal, é o fim de muitos sonhos, é o fim de uma realidade que existe dentro daquele que ainda vive o amor, é a tristeza e a desilusão de saber que mesmo tendo tanto sentimento por alguém, não há o que fazer pra reverter a situação. Quem vive isso sabe do que estou falando.
Mas também é bem verdade que perder alguém, por mais importante que seja, não mata. Às vezes essa impressão pode ser bem nítida, mas isso só mostra quanto se pode ser dependente dessa pessoa, ou ainda nem da pessoa, mas dos sentimentos por ela. Cair na triste realidade de que você não vai mais poder expressar e demonstrar os sentimentos à pessoa amada é um golpe duríssimo. Mas a vida não pára. Ao contrário do que parece, seu coração vai continuar batendo, exatamente como batia desde que você veio ao mundo. Mas outro fator que pode ser devastador é a dor da perda. "Perder" a pessoa amada pode destruir vidas, ou no mínimo, fazer um estrago bem grande no seu psicológico. Parece que o mundo pára, a vida perde a graça. Não se tem vontade de nada, e nada te satisfaz, nada te atrai... Pois é, exatamente assim eu me sinto. O fato de saber que a vida vai continuar e que outras pessoas podem aparecer e te fazer sentir melhor não alivia em nada a sensação de vazio, de derrota. Nessas horas você entende exatamente o que querem dizer as músicas românticas (sejam de que gênero forem) que falam sobre saudade, sobre o amor, sobre a perda, sobre o sofrimento, sobre a desilusão, e até se põe no lugar do cantor.
Porém, uma hora você vai ter que cair na cruel realidade. Talvez depois de algum tempo, sofrendo, lembrando, desejando mudar toda a situação, você vai se dar conta de que não há o que fazer. Vai se dar conta de que não há mais como viver o amor que você viveu, e que ele se tornou absolutamente nada além de passado. E que nem a esperança de viver um novo tempo, até mesmo um novo amor com essa mesma pessoa não passa de uma simples uma ilusão. E engolir essa verdade não é fácil. Mas por mais que se queira mexer no destino, nada podemos fazer. E se estiver escrito que no futuro você vai se relacionar novamente com a mesma pessoa, também está aquém da nossa vontade e não temos como saber isso, por mais forte que seja o desejo. E nesse momento, se tem algo que você não deve fazer é se iludir. A ilusão é o pior erro que alguem pode cometer consigo mesmo. Então, cuidado.
O melhor que se pode fazer é, guardar os bons momentos vividos na memória, tentar compreender os motivos que fizeram com que tudo terminasse, aprender com eles, no sentido de ser alguém melhor da próxima vez, guardar o amor e tudo de bom que ainda sinta no coração, e ter cuidado, muito cuidado pra que qualquer mágoa que tenha sofrido não se torne rancor. Carregar rancor não traz nada de bom, só dor, angústia, revolta.
E por último, se o sonhos não puderam passar de sonhos, tenha paciência. Deixe o coração sarar, e tente de novo, mesmo que demore. Mesmo sendo difícil, não tenha medo, não se feche. A vida se vive assim, e tem mesmo disso. É assim que aprendemos, assim que crescemos. Tente se abrir pra novos sonhos, tente passar a olhar tudo aquilo que estava em segundo plano na sua vida (com certeza vai haver muita coisa que precisa de atenção) e dê atenção a elas. Em pouco tempo você vai ver que as nuvens escuras vão aos poucos deixar a luz do sol passar.
(Agora, lendo o que acabei de escrever, até fez parecer que vai ser fácil esquecer aquela moça que me encantava por completo cada vez que eu chegava perto dela, que me fazia sentir nas nuvens, e não precisava fazer nada pra isso acontecer, bastava que ela fosse ela... Incrível como com quase nada ela me fazia viver um sonho... E é uma pena que infelizmente não poderei mais viver isso...
Hmm... Acho que vou ler o texto do começo novamente..)
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
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